sábado, 31 de janeiro de 2009

Werônica Pradella

Ligeiramente arrastada Ocupação em carne vestida Cheiro de pipoca doce Respiro junto o vento geladinho, Espirro. De uma estação, escadas tortas. (Estou farta de vanguardísmos). ... Pés tortos, passos tontos Mas vingo pontualmente. Poderíamos até dar... Mas você acordou mau humorado E eu embarco na Tucuruvi.

Karl Marx

Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim todas as paixões e actividades são tragadas pela cobiça.

Manuel de Barros

Desencanto Eu faço versos como quem chora De desalento. . . de desencanto. . . Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . . Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca, Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. – Eu faço versos como quem morre.

Hilda Hilst

Que boca há de roer tempo? Que rosto/Há de chegar depois do meu? Quantas vezes/O tule do meu sopro há de pousar/Sobre a brancura fremente do teu dorso?/Quan-tas vezes dirás: vida, vésper, magma-marinha/E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas/ Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas/ Sem poder tocar-te. Quantas vezes amor/Uma nova vertente há de nascer em ti/E quantas vezes em mim há de morrer.

Oswald de Andrade

Serafim Ponte Grande

Fim de Serafim

Fatigado Das minhas viagens pela terra De camelo e táxi Te procuro Caminho de casa Nas estrelas Costas atmosféricas do Brasil Costas sensuais Para vos fornicar Como um pai bigodudo de Portugal Nos azuis do clina Ao solem nostrum Entre raios, tiros e jaboticabas.

 

ACC

          
O nome de gato assegura minha vigília e morde meu pulso distraído finjo escrever gato, digo: pupilas, focinhos e patas emergentes. Mas onde repousa

o nome, ataque e fingimento, estou ameaçada e repetida e antecipada pela espreita meio adormecida do gato que riscaste por te preceder e

perder em traços a visão contígua de coisa que surge aos saltos no tempo, ameaçando de morte a própria forma ameaçada do desenho e o gato transcrito que antes era marca do meu rosto, garra no meu seio.